Fronteiras, infraestrutura e geopolítica: obra discute o futuro da integração sul-americana

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O e-book “Rotas da Integração Sul-Americana: reflexões interdisciplinares” está disponível para download gratuito

A integração sul-americana vai muito além da construção de rodovias e corredores logísticos. Envolve decisões políticas, cooperação entre países, desenvolvimento regional, proteção ambiental e também das populações e desafios de segurança que exigem planejamento e articulação entre diferentes setores da sociedade. Essas questões estão no centro do livro “Rotas da Integração Sul-Americana: reflexões interdisciplinares”, lançado nesta semana durante o “III Simpósio Internacional Rotas de Integração Sul-Americana”, realizado em Campo Grande (MS). 

Organizada por Gustavo Oliveira Vieira, Luciano Stremel Barros e Wagner Menezes, a obra reúne contribuições de pesquisadores e especialistas para discutir os caminhos da integração regional e seus impactos sobre os países sul-americanos. 

(da esq. para a dir.):
Na mesa de lançamento da obra participaram o Presidente do IDESF e um dos organizadores do livro, Luciano Stremel Barros, o Embaixador e Presidente do Curatorium da Sociedade Brasileira de Direito Internacional e ex-presidente da FUNAG, Sérgio Eduardo Moreira Lima, que assina o primeiro capítulo do livro, Isabelle Dias Carneiro Santos, Professora da UFMS e autora de um dos capítulos, Aldo Almeida Nunes Filho, coordenador-geral do evento e autor de um dos capítulos e Gustavo Oliveira Vieira, Professor da UNILA e um dos organizadores do livro.

Integração para além da infraestrutura

A criação de rotas e corredores de integração representa uma oportunidade para ampliar as conexões comerciais, aproximar mercados e facilitar a circulação de pessoas e mercadorias. Entretanto, esses projetos também levantam questões sobre planejamento territorial, sustentabilidade, governança e os efeitos das grandes obras sobre as populações e os ambientes envolvidos. Nesse contexto, compreender a integração sul-americana exige considerar não apenas a infraestrutura física, mas também as instituições, as políticas públicas e os mecanismos de cooperação necessários para transformar conexões territoriais em oportunidades de desenvolvimento. As regiões de fronteira ocupam posição estratégica nesse debate. Mais do que áreas de separação entre países, esses territórios constituem espaços de circulação, intercâmbio cultural, atividades econômicas e cooperação institucional. Ao mesmo tempo, enfrentam desafios específicos relacionados à gestão pública, à segurança, à fiscalização e à coordenação de políticas entre diferentes níveis de governo. 

Luciano Stremel Barros explica que todas as contribuições do livro levam em conta uma perspectiva interdisciplinar. “Ao reunir diferentes áreas do conhecimento, o livro contribui para ampliar o debate sobre as rotas de integração e os desafios de sua implementação. A proposta é aproximar perspectivas acadêmicas e institucionais para compreender a complexidade dos processos de integração regional e suas consequências para o futuro da América do Sul”. Ele também salienta que a publicação dialoga com questões relevantes para a Região Trinacional do Iguaçu, onde a proximidade entre Brasil, Paraguai e Argentina torna evidentes tanto as oportunidades da cooperação quanto a necessidade de políticas coordenadas que ultrapassam as fronteiras nacionais.

Acesso gratuito ao livro

O e-book “Rotas da Integração Sul-Americana: reflexões interdisciplinares” está disponível para download gratuito neste link. 

III Simpósio Internacional Rotas de Integração Sul-Americana

O evento reuniu pesquisadores, estudantes, representantes de instituições públicas e especialistas para discutir os impactos e desafios relacionados à consolidação dos corredores de integração entre os países sul-americanos e foi realizado no teatro Glauce Rocha, na UFMS de Campo Grande.

Gustavo Oliveira Vieira fez um balanço do evento, que contou com parcerias com a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Programa de Pós-graduação em Direito (UFMS), Associação Brasileira de Direito Internacional, UNILA, IDESF, Associação Brasileira de Relações Internacionais, e apoios da Fundação Araucária, NAPI Trinacional, UNIGRAM, Revista Videre e rede de espertos em paradiplomacia e integração territorial. Ele destaca que o evento reforçou a compreensão e o aprofundamento sobre os desafios das soluções de infraestrutura para integração sul-americana e para a otimização da capacidade logística internacional de interconexão física na América do Sul e suas conexões bioceânicas. “Nós conseguimos reunir representantes de cinco Ministérios, da Presidência da República, representantes de estados, dos municípios, Diplomatas, Embaixadores, representantes da área internacional da Receita Federal e do Ministério da Justiça, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal para tratar de cooperação policial internacional, discutir as perspectivas ambientais e os desafios ligados aos povos indígenas”. Ele também comenta que houve a oportunidade de realização de visitas técnicas e a construção de debates entre acadêmicos, profissionais e empresários da logística. “Tudo isso facilita a compreensão destes desafios e evidencia as possibilidades de colaboração a partir da academia. No mesmo evento, reunimos representantes das fundações de parapesquisa de diferentes estados, houve reunião de Reitores da Unifronteiras, reunião do órgão do Mercosul sobre integração fronteiriça e ainda os Diplomatas puderam participar do evento, assim como a participação de Diplomatas do Mercosul que estavam em processo de formação e da organização dos estados ibero-americanos. É um evento cuja finalidade também tem a ver com a articulação intersetorial para nós compreendermos melhor os desafios multissetoriais e multidimensionais que estão implicados na realização desses corredores bioceânicos e certamente a academia tem tarefas fundamentais para enfrentar estes desafios do desenvolvimento regional transfronteiriço”. 

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