Liberalismo Econômico: Por que o defendo sem hesitação

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Por: Neri Antônio Parcianello

Após mais de vinte anos lecionando Economia e acompanhando a evolução das políticas econômicas no Brasil e no mundo, cheguei a uma convicção clara: a prosperidade não nasce da intervenção permanente do Estado, mas da liberdade das pessoas para produzir, investir, empreender e competir.
Defendo o liberalismo econômico porque os fatos históricos demonstram que as sociedades mais prósperas são justamente aquelas que garantem segurança jurídica, proteção à propriedade privada, liberdade econômica e competição de mercado. Não existe exemplo duradouro de nação que tenha enriquecido sufocando a iniciativa privada ou substituindo o empreendedorismo pelo planejamento centralizado do Estado.
Adam Smith, considerado o pai do liberalismo econômico, compreendeu essa realidade ainda no século XVIII. Em sua obra A Riqueza das Nações, demonstrou que a busca legítima pelo interesse individual, em um ambiente de livre concorrência, gera benefícios coletivos. Quando empresas disputam consumidores, precisam inovar, reduzir custos, melhorar produtos e aumentar a eficiência. O resultado é mais riqueza, mais empregos, mais investimentos e maior qualidade de vida.
A livre concorrência não é um defeito do sistema. É precisamente o mecanismo que impede abusos e estimula o progresso. Quando várias empresas competem, os preços tendem a cair, a qualidade melhora e a inovação se torna uma necessidade permanente. Quem ganha com isso não é o empresário nem o governo. Quem ganha é o consumidor.
O contrário também é verdadeiro. Sempre que um monopólio se estabelece, seja estatal ou privado, a eficiência tende a diminuir. Sem concorrência, desaparece o incentivo para melhorar serviços, investir em tecnologia ou reduzir custos. O resultado costuma ser previsível: preços mais altos, qualidade inferior e consumidores sem alternativas.
O Brasil conheceu essa realidade. Antes da abertura do setor de telecomunicações, possuir uma linha telefônica era privilégio de poucos. Havia filas de espera, custos elevados e infraestrutura insuficiente. Com a quebra do monopólio estatal e a entrada da concorrência, o país experimentou uma verdadeira revolução nas comunicações, ampliando o acesso à telefonia móvel e à internet para milhões de brasileiros.
O mesmo ocorreu com a Embraer. Limitada pelas restrições da gestão estatal, a empresa enfrentava dificuldades financeiras e dependência permanente de decisões governamentais. Após a privatização, transformou-se em uma das mais importantes fabricantes de aeronaves do mundo, competindo em igualdade de condições com gigantes internacionais e contribuindo para projetar a engenharia brasileira globalmente.
Costumo resumir essa lógica com uma provocação que frequentemente gera reflexão: por que as vacas não correm risco de extinção, mas as baleias sim?
A resposta está nos incentivos. A vaca pertence a alguém que tem interesse direto em preservá-la, reproduzi-la e aumentar seu valor econômico. Já recursos sem um responsável claramente definido tendem a ser explorados excessivamente. Trata-se de uma lição econômica simples: quando todos são donos, na prática ninguém assume a responsabilidade.
Da mesma forma, as experiências socialistas do século XX deixaram lições importantes. A União Soviética, Cuba e outras economias fortemente centralizadas tentaram substituir os sinais do mercado pelo planejamento estatal. Embora algumas tenham alcançado avanços específicos, especialmente na industrialização inicial, enfrentaram problemas recorrentes de escassez, ineficiência, baixa inovação e dificuldades de abastecimento.
O problema fundamental era a ausência do mecanismo que coordena milhões de decisões econômicas diariamente: o sistema de preços. Sem concorrência e sem liberdade econômica, governos passaram a decidir o que produzir, quanto produzir e para quem produzir. A história mostrou as limitações dessa pretensão.
Não por acaso, os países que mais cresceram nas últimas décadas foram justamente aqueles que ampliaram a participação dos mercados e da iniciativa privada. O caso chinês é emblemático. O forte crescimento econômico ocorreu após a introdução de reformas que flexibilizaram a economia, ampliaram a propriedade privada e estimularam investimentos e competição.
Isso não significa defender um Estado ausente. Pelo contrário. O Estado possui funções essenciais: garantir a segurança jurídica, fazer cumprir contratos, combater monopólios abusivos, proteger a concorrência, fiscalizar mercados e corrigir falhas específicas. Mas existe uma diferença fundamental entre regular a economia e tentar substituí-la.
Governos não criam riqueza por decreto. Prosperidade não nasce da burocracia. Desenvolvimento não surge do excesso de controle. A riqueza é produzida diariamente por trabalhadores, empreendedores, investidores e empresas que assumem riscos, inovam e geram valor para a sociedade.
Por isso continuo defendendo o liberalismo econômico. Não por ideologia, mas por acreditar que a experiência histórica demonstra, repetidamente, que a liberdade econômica é um dos instrumentos mais poderosos já criados para promover crescimento, inovação, oportunidades e melhoria das condições de vida da população.
Em síntese, quanto mais liberdade para empreender, competir e investir, maiores são as chances de uma sociedade construir prosperidade duradoura.

Neri Antônio Parcianello
é Economista, Advogado e Professor Universitário.
✉️ neriparcianello@gmail.com

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