Organizações se unem para a conservação de espécies em risco de extinção

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Inaugurado há pouco mais de 3 meses no país, o Centro de Sobrevivência de Espécies Brasil (CSE Brasil) é uma iniciativa internacional que tem como objetivo a cooperação estratégica entre diversos atores e a ação para garantir a sobrevivência de espécies silvestres de flora, fauna e fungos.

O Centro foi co-fundado pela Comissão de Sobrevivência de Espécies da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN SSC), o SSC Grupo Especialista em Planejamento de Conservação (CPSG) e o Parque das Aves

Conforme explicou a colaboradora do Parque das Aves e oficial de programa do Centro de Sobrevivência de Espécies Brasil, Eugenia Cordero Schmidt, o trabalho é realizado a partir de metodologias já construídas, orientadas pela IUCN e faz a conexão entre pessoas e dados nacionais e internacionais. “Para as espécies não existem fronteiras políticas. Assim, há momentos em que trabalhamos com uma estratégia voltada para regiões e outros em que é melhor atuar numa escala maior para ter mais impacto”. O trabalho acontece da seguinte forma: a IUCN  tem a chamada “Lista Vermelha”, um inventário que fornece informações relacionadas ao estado de conservação global de plantas, animais e fungos e também um método padrão e replicável para avaliar o risco de extinção de uma espécie. Nessa etapa, o CSE trabalha na articulação da integração das avaliações de risco de extinção realizadas em nível nacional pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e a avaliação realizada a nível global pela IUCN, de forma a inserir cada vez mais espécies endêmicas brasileiras na Lista Vermelha Global, dando às espécies e aos pesquisadores brasileiros maior visibilidade internacional e onde potenciais oportunidades de financiamento possam aparecer.

A partir de então, o CPSG  promove oficinas de planejamento de conservação para  analisar questões como a visão de futuro para a espécie, análises das possíveis ameaças e como trabalhar com elas, identificação das pessoas-chave que vão atuar e quais ações serão desenvolvidas. Depois desta parte de planejamento, começa a fase de ação. 

“Ano passado fizemos oficinas de planejamento  com uma espécie de tubarão que está presente no mundo todo, mas trabalhamos com o planejamento regional entre Brasil, Argentina e Uruguai. Foi uma super experiência porque além de ser transfronteiriço, encaramos todo o processo de forma virtual. Outra iniciativa que estamos focados agora é o projeto bandeira de aves da Mata Atlântica, liderado pelo Parque das Aves. Na esfera do planejamento, já fizemos mais de 7 oficinas com diferentes espécies que nesse momento precisam de mais atenção. E na parte de ações, existem projetos e instituições parceiras que  fazem o monitoramento de ninhos, trabalho com populações em cativeiro e outros”. 

O SSC já estabeleceu nove centros de sobrevivência de espécies em sete países. Outros centros existem na Argentina, Austrália, Estados Unidos, Portugal, Reino Unido e Singapura. No Brasil, a sede do Centro fica em Foz do Iguaçu (PR).

 O Centro de Sobrevivência de Espécies Brasil foi fundado como parte de uma onda de lançamentos de pólos regionais sob o movimento global #ReversetheRed (“Reverta o vermelho”, em tradução livre), em referência à lista vermelha de espécies ameaçadas.

Projetos em andamento

Alguns exemplos de projetos que estão em andamento mostram a integração entre os diversos atores que atuam na conservação de espécies. Nos itens a seguir, estão os projetos e as respectivas organizações envolvidas, seja na fase de planejamento e/ou ação.

  • Oficina de Análise de Viabilidade Populacional de papagaios. Espécies: Papagaio-charão (Amazona pretrei); Papagaio-de-cara-roxa (Amazona brasiliensis) e Papagaio-de-peito-roxo (Amazona vinacea).

Organizações: Instituto Claravis, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), Programa Papagaios do Brasil, IUCN SSC Grupo Especialista em Planejamento de Conservação (CPSG) e Centro de Sobrevivência de Espécies Brasil (CSE Brasil);

  • Contribuições para o planejamento estratégico para a conservação do tubarão Carcharias taurus no Atlântico Sudoeste. Espécie: Tubarão Mangona (Carcharias taurus).

Organizações: Wildlife Conservation Society Argentina, Fundación Vida Silvestre Argentina, IUCN SSC Grupo Especialista em Planejamento de Conservação (CPSG) e Centro de Sobrevivência de Espécies Brasil (CSE Brasil);

  • Oficina para Elaboração do Plano de Ação e Estratégias de Manejo Integrado para Conservação da Saíra-apunhalada. Espécie: Saíra-apunhalada (Nemosia rourei)

Organizações: Instituto Marcos Daniel, Instituto Claravis, Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves (CEMAVE), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), IUCN SSC Grupo Especialista em Planejamento de Conservação (CPSG) e Centro de Sobrevivência de Espécies Brasil (CSE Brasil);

  • Recomendações de boas práticas para translocação do Bicudo. Espécie: Bicudo (Sporophila maximiliani).

Organizações: Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves (CEMAVE), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), IUCN SSC Grupo Especialista em Planejamento de Conservação (CPSG), Centro de Sobrevivência de Espécies Brasil (CSE Brasil);

  • Abordagem de um plano único para 15 espécies ameaçadas de primatas e uma preguiça. 

Organizações: Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros (CPB), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Associação de Zoológicos e a Aquários do Brasil (AZAB), IUCN SSC Grupo Especialista em Planejamento de Conservação (CPSG) e Centro de Sobrevivência de Espécies Brasil (CSE Brasil);

  • Avaliação ex situ para planejamento integrado de conservação para Galliformes e Tinamiformes no Brasil.

Organizações: Instituto Claravis, Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves (CEMAVE), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), SAVE Brasil, IUCN SSC Grupo Especialista em Planejamento de Conservação (CPSG) e Centro de Sobrevivência de Espécies Brasil (CSE Brasil).

As Listas Vermelhas de fauna e flora do Brasil

A Lista Vermelha é um indicador da saúde da biodiversidade do mundo e organiza informações para promover ações de conservação da biodiversidade e mudança de políticas, essenciais para proteger os recursos naturais. Segundo o CSE Brasil, desde 2010 o país adota a Lista Vermelha Nacional como estratégia para cumprir o acordo da CDB e a Meta 12 de Aichi. O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) coordena as avaliações de risco de extinção para todas as espécies de vertebrados que ocorrem no território nacional e para alguns grupos de invertebrados, enquanto o Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ) coordena as avaliações das espécies da flora. Este trabalho subsidia a revisão, pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), da Lista Nacional de Espécies Ameaçadas. É um processo cíclico, com reavaliações a cada cinco anos. Eles contam com a colaboração de centenas de especialistas das mais diversas instituições de ensino e pesquisa do país e do exterior, fornecendo e revisando os dados.

Reunião do Grupo Especialista em Planejamento de Conservação (CPSG) realizada em Foz do Iguaçu em fevereiro de 2020.

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