Contrabando de agroquímicos, desenvolvimento e defesa no segundo dia do VI Seminário

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O contrabando de agroquímicos atinge de forma abrangente toda a sociedade brasileira tanto por meio da alimentação quanto pela poluição ambiental. O alerta foi dado pelo presidente do Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras (IDESF), Luciano Barros, durante o lançamento do estudo ‘O contrabando de defensivos agrícolas no Brasil’, durante a segunda noite do VI Seminário Fronteiras do Brasil, na quinta-feira (22). Realizado no auditório da Polícia Federal, o evento reuniu lideranças em torno de temas atuais relacionados às regiões fronteiriças.

O diagnóstico realizado pelo IDESF com base em dados de operações oficiais das forças de segurança que atuam nos estados fronteiriços aponta que a concentração dos agroquímicos contrabandeados chega a 600% em relação à concentração permitida no Brasil. Segundo estudo da FIESP, 24% do mercado de agroquímicos é composto por produtos contrabandeados.

O estudo foi lançado em Foz do Iguaçu durante o painel integrado pelo Gerente de Segurança Corporativa da Bayer, Joy Rodrigues, pelo delegado-chefe da PF de Foz do Iguaçu, Mozart Fuchs, e pelo Secretário Executivo do Conselho Nacional de Combate à Pirataria (CNCP), Guilherme Vargas da Costa. Fuchs apresentou dados de levantamento dos agroquímicos mais apreendidos na região, sendo que o benzoato de emamectina é a substância mais contrabandeada, informação confirmada pelo estudo do IDESF.

Rodrigues fez um comparativo entre o percentual de ilegalidade dos pesticidas em âmbito global, que fica entre 12% a 14%, aproximadamente a metade do percentual verificado no Brasil. Também apresentou um dispositivo elaborado pela Bayer que identifica por meio da leitura do QRCold se o  produto é falso,  o que pode ajudar na coibição do contrabando.

O secretário do CNCP situou o trabalho do Conselho afirmando que “muitas vezes o consumidor tem que ser protegido dele mesmo”. E reforçou que muitas vezes as falsificações são interpretadas como um crime menos lesivo à sociedade porque a opinião pública não identifica a cadeia de outros crimes envolvida por este ilícito, tais como furto, roubo, corrupção, ameaça, sonegação, lavagem de dinheiro. “Falsificações não são inofensivas e podem custar vidas”, afirmou.

No segundo e último painel da noite, sobre o tema “Fronteiras: integração e articulação para desenvolver e proteger”, o General de Brigada Sergio Luis Goulart Duarte falou sobre o trabalho do Sistema Integrado de Operações de Fronteira (Sisfron) e sua tarefa de fazer o monitoramento das regiões fronteiriças.

O coordenador de Estudos sobre as Indústrias Aeroespacial do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA), Felipe Giesteira, apresentou dados sobre o crescimento brasileiro em termos econômicos e em qualidade de vida. Em 1900, a expectativa de vida de um brasileiro era de 37 anos, sendo que o país figurava na 24° posição no ranking da economia mundial. Em 2016, o país pontuou como 8° no ranking econômico e a expectativa de vida passa dos 72 anos. “Somos um país definitivamente em ascensão e talvez o país que mais resume a ascensão”, afirmou, fazendo contraponto com a falta de expressividade dos investimentos brasileiros em defesa. “O gasto atual com defesa é menor do que 1,5% do PIB, abaixo do recomendado pela Otan e da média dos Brics”, afirmou.

No mesmo painel, o delegado da Receita Federal de Foz do Iguaçu, Paulo Bini, destacou os resultados da Operação Muralha, que somente em maio e junho desse ano somou R$ 46 milhões de retenções em produtos contrabandeados. Realizada com participação 22 instituições, a operação foi citada como exemplo de “integração plena” das forças de segurança pelo delegado. “Foi um caminho longo, um longo aprendizado, com lições de humildade dentro da instituição, onde é preciso pacificar por conta de cargos, e de humildade intrainstitucional”, destacou.

Bini lembrou de um passado recente, há pouco mais de uma década, quando operações mais incisivas inibiram o contrabando massivo realizado por comboios de ônibus vindos de todo o País. “Parte da sociedade civil dizia que iríamos acabar com Foz, mas o tempo provou que o que acaba com Foz é o crime”, disse, fazendo um contraponto com o momento atual, quando a cidade é o segundo maior destino turístico do Brasil. Citou pesquisa recente realizada na Ponte da Amizade demonstrando que 79,6% dos entrevistados é a favor das operações de combate ao contrabando realizadas pela Receita Federal no local. “Mudou completamente o perfil da cidade e a participação das forças de segurança foi essencial nesse processo”, resumiu.

O painel foi encerrado pelo capitão da Marinha, Francisco Lemos Junior.

 

 

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